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1729–1789

XXVIII

Cláudio Manuel da Costa

Faz a imaginação de um bem amado, Que nele se transforme o peito amante; Daqui vem, que a minha alma delirante Se não distingue já do meu cuidado.

Nesta doce loucura arrebatado Anarda cuido ver, bem que distante; Mas ao passo, que a busco neste instante Me vejo no meu mal desenganado.

Pois se Anarda em mim vive, e eu nela vivo, E por força da idéia me converto Na bela causa de meu fogo ativo; Como nas tristes lágrimas, que verto,

Ao querer contrastar seu gênio esquivo, Tão longe dela estou, e estou tão perto.

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XXVIII · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove