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1729–1789

XXVI

Cláudio Manuel da Costa

Não vês, Nise, este vento desabrido, Que arranca os duros troncos? Não vês esta, Que vem cobrindo o céu, sombra funesta, Entre o horror de um relâmpago incendido?

Não vês a cada instante o ar partido Dessas linhas de fogo? Tudo cresta, Tudo consome, tudo arrasa, e infesta, O raio a cada instante despedido.

Ah! não temas o estrago, que ameaça A tormenta fatal; que o Céu destina Vejas mais feia, mais cruel desgraça: Rasga o meu peito, já que és tão ferina;

Verás a tempestade, que em mim passa; Conhecerás então, o que é ruína.

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XXVI · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove