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1729–1789

XXIV

Cláudio Manuel da Costa

Sonha em torrentes d’água, o que abrasado Na sede ardente está; sonha em riqueza Aquele, que no horror de uma pobreza Anda sempre infeliz, sempre vexado:

Assim na agitação de meu cuidado De um contínuo delírio esta alma presa, Quando é tudo rigor, tudo aspereza, Me finjo no prazer de um doce estado.

Ao despertar a louca fantasia Do enfermo, do mendigo, se descobre Do torpe engano seu a imagem fria: Que importa pois, que a idéia alívios cobre,

Se apesar desta ingrata aleivosia, Quanto mais rico estou, estou mais pobre.

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XXIV · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove