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1729–1789

XXII

Cláudio Manuel da Costa

Neste álamo sombrio, aonde a escura Noite produz a imagem do segredo; Em que apenas distingue o próprio medo Do feio assombro a hórrida figura;

Aqui, onde não geme, nem murmura Zéfiro brando em fúnebre arvoredo, Sentado sabre o tosco de um penedo Chorava Fido a sua desventura.

As lágrimas a penha enternecida Um rio fecundou, donde manava D’ânsia mortal a cópia derretida: A natureza em ambos se mudava;

Abalava-se a penha comovida; Fido, estátua da dor, se congelava.

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XXII · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove