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1729–1789

XX

Cláudio Manuel da Costa

Ai de mim! como estou tão descuidado! Como do meu rebanho assim me esqueço, Que vendo o trasmalhar no mato espesso, Em lugar de o tornar, fico pasmado!

Ouço o rumor que faz desaforado O lobo nos redis; ouço o sucesso Da ovelha, do pastor; e desconheço Não menos, do que ao dono, o mesmo gado:

Da fonte dos meus olhos nunca enxuta A corrente fatal, fico indeciso, Ao ver, quanto em meu dano se executa. Um pouco apenas meu pesar suavizo,

Quando nas serras o meu mal se escuta; Que triste alívio! ah infeliz Daliso!

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XX · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove