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1729–1789

XVIII

Cláudio Manuel da Costa

Aquela cinta azul, que o céu estende A nossa mão esquerda, aquele grito, Com que está toda a noite o corvo aflito Dizendo um não sei quê, que não se entende;

Levantar me de um sonho, quando atende O meu ouvido um mísero conflito, A tempo, que o voraz lobo maldito A minha ovelha mais mimosa ofende;

Encontrar a dormir tão preguiçoso Melampo, o meu fiel, que na manada Sempre desperto está, sempre ansioso; Ah! queira Deus, que minta a sorte irada:

Mas de tão triste agouro cuidadoso Só me lembro de Nise, e de mais nada.

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XVIII · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove