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1729–1789

XLVIII

Cláudio Manuel da Costa

Traidoras horas do enganoso gosto, Que nunca imaginei, que o possuía, Que ligeiras passastes! mal podia Deixar aquele bem de ser suposto.

Já de parte o tormento estava posto; E meu peito saudoso, que isto via, As imagens da pena desmentia, Pintando da ventura alegre o rosto.

Desanda então a fábrica elevada, Que o plácido Morfeu tinha erigido, Das espécies do sono fabricada: Então é, que desperta o meu sentido,

Para observar na pompa destroçada, Verdadeira a ruína, o bem fingido.

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XLVIII · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove