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1729–1789

XLVI

Cláudio Manuel da Costa

Não vês, Lise, brincar esse menino Com aquela avezinha? Estende o braço; Deixa-a fugir; mas apertando o laço, A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino, Tens minha liberdade; pois ao passo, Que cuido, que estou livre do embaraço, Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento Tanto a precipitar-me se encaminha, Que não vejo onde pare o meu tormento. Mas fora menos mal esta ânsia minha,

Se me faltasse a mim o entendimento, Como falta a razão a esta avezinha.

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XLVI · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove