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1729–1789

XLIV

Cláudio Manuel da Costa

Há quem confie, Amor, na segurança De um falsíssimo bem, com que dourando O veneno mortal, vás enganando Os tristes corações numa esperança!

Há quem ponha inda cego a confiança Em teu fingido obséquio, que tomando Lições de desengano, não vá dando Pelo mundo certeza da mudança!

Há quem creia, que pode haver firmeza Em peito feminil, quem advertido Os cultos não profane da beleza! Há inda, e há de haver, eu não duvido,

Enquanto não mudar a Natureza Em Nise a formosura, o amor em Fido.

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XLIV · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove