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1729–1789

XL

Cláudio Manuel da Costa

Quem chora ausente aquela formosura, Em que seu maior gosto deposita, Que bem pode gozar, que sorte, ou dita, Que não seja funesta, triste, e escura!

A apagar os incêndios da loucura Nos braços da esperança Amor me incita: Mas se era a que perdi, glória infinita, Outra igual que esperança me assegura!

Já de tanto delírio me despeço; Porque o meu precipício encaminhado Pela mão deste engano reconheço. Triste! A quanto chegou meu duro fado!

Se de um fingido bem não faço apreço, Que alívio posso dar a meu cuidado!

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XL · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove