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1729–1789

XIV

Cláudio Manuel da Costa

Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado.

Que bem é ver nos campos transladado No gênio do pastor, o da inocência! E que mal é no trato, e na aparência Ver sempre o cortesão dissimulado!

Ali respira amor sinceridade; Aqui sempre a traição seu rosto encobre; Um só trata a mentira, outro a verdade. Ali não há fortuna, que soçobre;

Aqui quanto se observa, é variedade: Oh ventura do rico! Oh bem do pobre!

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XIV · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove