Skip to content
1729–1789

V

Cláudio Manuel da Costa

Se sou pobre pastor, se não governo Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes; Se em frio, calma, e chuvas inclementes Passo o verão, outono, estio, inverno;

Nem por isso trocara o abrigo terno Desta choça, em que vivo, co’as enchentes Dessa grande fortuna: assaz presentes Tenho as paixões desse tormento eterno.

Adorar as traições, amar o engano, Ouvir dos lastimosos o gemido, Passar aflito o dia, o mês, e o ano; Seja embora prazer; que a meu ouvido

Soa melhor a voz do desengano, Que da torpe lisonja o infame ruído.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
V · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove