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1729–1789

Untitled

Cláudio Manuel da Costa

Depois que abrasa o Sol a seca terra, Não é tão agradável para as plantas O chuveiro do Céu, que os ares cerra, Qual foi para a minha alma, quando cantas,

Ouvir na tua flauta a doce história, Com que tu me arrebatas e me encantas. Na bela competência desta glória, Quem me dera passar a noite, e dia,

Sem trazer outra coisa na memória! Contigo, caro Amigo, eu gostaria De consumir o tempo, mas o gado Anda correndo solto a relva fria.

Algum se acolhe ao mato emaranhado; Fugiu-me o meu Baroso; já não vejo Onde se foi meter o meu Bargado. Eu vou juntar as cabras, que desejo

Não trepem sobre aquela penha dura, Que fica lá fronteira ao manso Tejo. Adeus, Montano, adeus, que é noite escura. Aqui cessava o canto

Dos músicos Pastores: E se do teu influxo a esforço tanto Imito estes Cantores, Tu, generoso Infante,

Faze que as tuas glórias sempre cante. Verás que ao nosso rio, Verás que ao campo nosso, Sentado junto ao álamo sombrio,

Se tanto acaso posso, Em suave harmonia, O teu nome repito noite e dia.

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