Depois que abrasa o Sol a seca terra,
Não é tão agradável para as plantas
O chuveiro do Céu, que os ares cerra,
Qual foi para a minha alma, quando cantas,
Ouvir na tua flauta a doce história,
Com que tu me arrebatas e me encantas.
Na bela competência desta glória,
Quem me dera passar a noite, e dia,
Sem trazer outra coisa na memória!
Contigo, caro Amigo, eu gostaria
De consumir o tempo, mas o gado
Anda correndo solto a relva fria.
Algum se acolhe ao mato emaranhado;
Fugiu-me o meu Baroso; já não vejo
Onde se foi meter o meu Bargado.
Eu vou juntar as cabras, que desejo
Não trepem sobre aquela penha dura,
Que fica lá fronteira ao manso Tejo.
Adeus, Montano, adeus, que é noite escura.
Aqui cessava o canto
Dos músicos Pastores:
E se do teu influxo a esforço tanto
Imito estes Cantores,
Tu, generoso Infante,
Faze que as tuas glórias sempre cante.
Verás que ao nosso rio,
Verás que ao campo nosso,
Sentado junto ao álamo sombrio,
Se tanto acaso posso,
Em suave harmonia,
O teu nome repito noite e dia.