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1729–1789

ROMANCE I

Cláudio Manuel da Costa

Pescadores do Mondego, Que girais por essa praia, Se vós enganais o peixe, Também Lise vos engana.

Vós ambos sois pescadores; Mas com diferença tanta, Vós ao peixe armais com redes, Ela co’os olhos vos arma.

Vós rompeis o mar undoso: Para assegurar a caça; Ela aqui no porto espera, Para lograr a filada.

Vós dissimulais o enredo, Fingindo no anzol a traça; Ela vos expõe patentes As redes, com que vos mata.

Vós perdeis a noite, e dia Em contínua vigilância; Ela em um só breve instante Consegue a presa mais alta.

Guardai-vos, pois, pescadores, Dos olhos dessa tirana; Que para troféus de Lise Despojos de Alcemo bastam.

Enquanto as ondas ligeiras Desta corrente tão clara Inundarem mansamente Estes álamos, que banham;

Eu espero, que a memória O conserve nestas águas, Por padrão dos desenganos, Por triunfo de uma ingrata.

E na frondosa ribeira Deste rio, triste a alma Girará sempre avisando, Quem lhe soube ser tão falsa.

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ROMANCE I · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove