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1729–1789

O PASTOR DIVINO

Cláudio Manuel da Costa

Onde, Enigma adorado, Onde guias perplexo, Confuso, e pensativo Da minha idéia o vacilante curso?

Que sombras, que portentos Encobres a meus olhos, Ó ignorado arcano, Que lá dessa distância

Inspiras de teu raio esforço ativo? Eu vejo, que rompendo Da noite o manto escuro Vem cintilando a chama,

Que sobre o mundo todo a luz derrama. Eu vejo, que do Oriente A luminosa estrela, Que os passos encaminha,

Quase a buscar a terra se avizinha. Chegai, pastores, Vinde contentes; Que o novo sol

Já resplendece. Oh que glória, que dita, que gosto Nestes campos se vê respirar! É esta a flor mimosa,

Que da Vara bendita, Venturosa, jucunda, Da raiz de Jessé brota fecunda! É este o pastor belo,

Que o rebanho espalhado Vem acaso buscar! É este aquele, Que por montes, e vales Conduz a tenra ovelha,

E mais que a própria vida, Ama o rebanho seu! É este aquele, Que as ovelhas conhece e a seu preceito Obedecendo belas,

Também o seu Pastor conhecem elas! Eu o tinha alcançado, De enigmáticas sombras na figura, Unigênito Filho

Do Eterno Criador. O Filho amado De Abrão o testifica; Jacó o compreende, Abel o explica. Brandas ninfas, que no centro

Habitais dessa corrente, Vinde ao novo sol nascente Vosso obséquio tributar. Já do monte descendo

Vem o pobre pastor: de brancas flores, Ou já grinaldas, ou coroas tece, E ao novo Deus contente as oferece. Já de lírios, e rosas,

Pela glória, que alcança, Animada a Esperança se coroa; E alegres hinos de prazer entoa. Chegai, pastores,

Vinde contentes; Que o novo sol Já resplendece. Oh que glória, que dita, que gosto

Nestes campos se vê respirar! Aquele tenro, Cordeiro amado, Sacrificado

Por nosso amor, Sobre seus ombros Conduz aceso O duro peso

Do pecador. Nascido infante Ao mundo aflito Nosso delito

Paga em amor. Oh recompensa Do bem perdido! Oh do gemido

Prêmio maior! Vem, Pastor belo; Vem a meus braços; Vem; que teus passos

Seguindo vou. Mas ah! Que de prazer, e de alegria Respirar posso apenas. Todo o campo Florescente se vê. Estão cobertos

Os claros horizontes De nova luz, de novo sol os montes. Melhor luz não espere Ver o mundo jamais. Concorram todos

A este luminoso Assento; aonde habita Aquele sol, que a vida ressuscita. Vem, sol peregrino,

De nós suspirado; Vem, Filho adorado De Deus imortal. Chegai, pastores,

Vinde contentes; Que o novo sol Já resplendece. Oh que glória, que dita, que gosto

Nestes campos se vê respirar!

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