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1729–1789

LXXXII

Cláudio Manuel da Costa

Piedosos troncos, que a meu terno pranto Comovidos estais, uma inimiga É quem fere o meu peito, é quem me obriga A tanto suspirar, a gemer tanto.

Amei a Lise; é Lise o doce encanto, A bela ocasião desta fadiga; Deixou-me; que quereis, troncos, que eu diga Em um tormento, em um fatal quebranto?

Deixou-me a ingrata Lise: se alguma hora Vós a vêdes talvez, dizei, que eu cego Vos contei... mas calai, calai embora. Se tanto a minha dor a elevar chego,

Em fé de um peito, que tão fino adora, Ao meu silêncio o meu martírio entrego.

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LXXXII · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove