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1729–1789

LXXVIII

Cláudio Manuel da Costa

Campos, que ao respirar meu triste peito Murcha, e seca tornais vossa verdura, Não vos assuste a pálida figura, Com que o meu rosto vedes tão desfeito.

Vós me vistes um dia o doce efeito Cantar do Deus de Amor, e da ventura; Isso já se acabou; nada já dura; Que tudo à vil desgraça está sujeito.

Tudo se muda enfim: nada há, que seja De tão nobre, tão firme segurança, Que não encontre o fado, o tempo, a inveja. Esta ordem natural a tudo alcança;

E se alguém um prodígio ver deseja, Veja meu mal, que só não tem mudança.

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LXXVIII · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove