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1729–1789

LXXVI

Cláudio Manuel da Costa

Enfim te hei de deixar, doce corrente Do claro, do suavíssimo Mondego; Hei de deixar-te enfim; e um novo pego Formará de meu pranto a cópia ardente.

De ti me apartarei; mas bem que ausente, Desta lira serás eterno emprego; E quanto influxo hoje a dever-te chego, Pagará de meu peito a voz cadente.

Das ninfas, que na fresca, amena estância Das tuas margens úmidas ouvia, Eu terei sempre n’alma a consonância; Desde o prazo funesto deste dia

Serão fiscais eternos da minha ânsia As memórias da tua companhia.

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LXXVI · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove