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1729–1789

LXXV

Cláudio Manuel da Costa

Clara fonte, teu passo lisonjeiro Pára, e ouve-me agora um breve instante; Que em paga da piedade o peito amante Te será no teu curso companheiro.

Eu o primeiro fui, fui o primeiro, Que nos braços da ninfa mais constante Pude ver da fortuna a face errante Jazer por glória de um triunfo inteiro.

Dura mão, inflexível crueldade Divide o laço, com que a glória, a dita Atara o gosto ao carro da vaidade: E para sempre a dor ter n’alma escrita,

De um breve bem nasce imortal saudade, De um caduco prazer mágoa infinita.

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LXXV · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove