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1729–1789

LXVIII

Cláudio Manuel da Costa

Apenas rebentava no oriente A clara luz da aurora, quando Fido, O repouso deixando aborrecido, Se punha a contemplar no mal, que sente.

Vê a nuvem, que foge ao transparente Anúncio do crepúsculo luzido; E vê de todo em riso convertido O horror, que dissipara o raio ardente.

Por que (diz) esta sorte, que se alcança Entre a sombra, e a luz, não sinto agora No mal, que me atormenta, e que me cansa? Aqui toda a tristeza se melhora:

Mas eu sem o prazer de uma esperança Passo o ano, e o mês, o dia, a hora.

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LXVIII · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove