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1729–1789

LXVI

Cláudio Manuel da Costa

Não te assuste o prodígio: eu, caminhante, Sou uma voz, que nesta selva habito; Chamei-me o pastor Fido; de um delito Me veio o meu estrago; eu fui amante.

Uma ninfa perjura, uma inconstante Neste estado me pôs: do peito aflito, Por eterno castigo, arranco um grito, Que desengane o peregrino errante.

Se em ti se dá piedade, ó passageiro, (Que assim o pede a minha sorte escura) Atende ao meu aviso derradeiro: Lágrimas não te peço, nem ternura:

Por voto um desengano, te requeiro Que consagres à minha sepultura.

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LXVI · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove