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1729–1789

GALATÉIA

Cláudio Manuel da Costa

Galatéia adorada, Mais cândida e mais bela, Que a neve congelada, Que a clara luz da matutina estrela;

Mais, do que o Sol, formosa; Não digo lírio já, não digo rosa. Ácis idolatrado, Pastor mais peregrino,

Que quanto ostenta o prado, Quanto banha d’Aurora o humor divino; Pois junto às tuas cores Não tem o prado cor, não têm as flores.

Ácis é, quem saudoso Corre desta ribeira Todo o campo espaçoso, Buscando, ó bela Ninfa, a lisonjeira,

Doce vista, que tanto De Amor ateia o suspirado encanto. Desde o azul império, Que rege o áureo Tridente,

Por todo este hemisfério, Galatéia te busca impaciente; E amante nos seus braços Te prepara de amor gostosos laços.

Vem ouvir-me um instante; Que em mim tudo é ternura. Do bárbaro Gigante Não temas, não a pálida figura:

Que o tem seu triste fado, Tanto como infeliz, desenganado. Vem, ó Ninfa ditosa, Vem, vem;

Que em ti Amor guarda Todo o meu bem. Oh! Firam teus ouvidos Meus saudosos clamores;

Mereçam meus gemidos Mover a sem-razão dos teus rigores; Já que tão docemente Sempre ao meu coração estás presente.

Vem, ó Pastor querido, Vem, vem; Que em ti Amor guarda Todo o meu bem.

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GALATÉIA · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove