Galatéia adorada,
Mais cândida e mais bela,
Que a neve congelada,
Que a clara luz da matutina estrela;
Mais, do que o Sol, formosa;
Não digo lírio já, não digo rosa.
Ácis idolatrado,
Pastor mais peregrino,
Que quanto ostenta o prado,
Quanto banha d’Aurora o humor divino;
Pois junto às tuas cores
Não tem o prado cor, não têm as flores.
Ácis é, quem saudoso
Corre desta ribeira
Todo o campo espaçoso,
Buscando, ó bela Ninfa, a lisonjeira,
Doce vista, que tanto
De Amor ateia o suspirado encanto.
Desde o azul império,
Que rege o áureo Tridente,
Por todo este hemisfério,
Galatéia te busca impaciente;
E amante nos seus braços
Te prepara de amor gostosos laços.
Vem ouvir-me um instante;
Que em mim tudo é ternura.
Do bárbaro Gigante
Não temas, não a pálida figura:
Que o tem seu triste fado,
Tanto como infeliz, desenganado.
Vem, ó Ninfa ditosa,
Vem, vem;
Que em ti Amor guarda
Todo o meu bem.
Oh! Firam teus ouvidos
Meus saudosos clamores;
Mereçam meus gemidos
Mover a sem-razão dos teus rigores;
Já que tão docemente
Sempre ao meu coração estás presente.
Vem, ó Pastor querido,
Vem, vem;
Que em ti Amor guarda
Todo o meu bem.