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1729–1789

ÉCLOGA VIII

Cláudio Manuel da Costa

Ó linda Galatéia, Que tantas vezes quantas Essa úmida morada busca Febo, Fazes por esta areia,

Que adore as tuas plantas O meu fiel cuidado: já que Erebo As sombras descarrega sobre o mundo, Deixa o reino profundo:

Vem, ó Ninfa, a meus braços; Que neles tece Amor mais ternos laços. Vem, ó Ninfa adorada; Que Ácis enamorado,

Para lograr teu rosto precioso, Bem que tanto te agrada, Tem menos o cuidado, Menos sente a fadiga, e o rigoroso,

Implacável rumor, que eu n’alma alento. Nele o merecimento. Minha dita assegura; Mas ah! que ele de mais tem a ventura.

Esta frondosa faia A qualquer hora (ai triste!) Me observa neste sítio vigilante: Vizinho a esta praia

Em uma gruta assiste, Quem não pode viver de ti distante. Pois de noite, e de dia Ao mar, ao vento às feras desafia

A voz do meu lamento: Ouvem-me as feras, ouve o mar, e o vento. Não sei, que mais pretendes. Desprezas meu desvelo;

E excedendo o rigor da crueldade, Com a chama do zelo O coração me acendes: Não é assim cruel a divindade.

Abranda extremo tanto; Vem a viver nos mares do meu pranto: Talvez sua ternura Te faça a natureza menos dura.

E se não basta o excesso De amor para abrandar-te, Quanto rebanho vês cobrir o monte, Tudo, tudo ofereço;

Esta obra do divino Alcimedonte, Este branco novilho, Daquela parda ovelha tenro filho, De dar-te se contenta,

Quem guarda amor, e zelos apascenta.

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