De Alcino e de Salício, Aqueles dous cantores, Que da voz e da flauta no exercício, Dão assunto aos Pastores,
Benigno Apolo ordena Que eu repita o que ouvi, na doce avena. Tu, Musa, que ensaiada À sombra dos salgueiros,
Esta inculta região viste animada Dos ecos lisonjeiros, Um novo empenho agora Comigo entoe a lira mais sonora.
As iras de Amarílis, De Lícida os extremos Basta já de cantar, basta de Fílis: Cousas dignas cantemos,
Dignas pela grandeza De estampar-se dos cedros na dureza. Para estender meu brado, Igual àquele empenho,
Que eu concebo no assunto levantado, Não basta ao tosco engenho Nem esforço, nem arte, Se vós no canto meu não tendes parte.
Vós, Conde, que cingido De verdes resplendores, Sobre a fama levais o vôo erguido, Que do peito em ardores
A virtude alentando, O nome à eternidade ides mandando. Vós, que de alta grandeza Brotando ramo ilustre,
Devendo tanto esmalte à natureza, Maior aumento, e lustre Buscais ao sangue egrégio De cada ação que obrais no fasto régio.
Se as fortunadas horas, Que à minha flauta entrego, De vós, Senhor, são dignas, as sonoras Dríadas do Mondego,
Vos prometo que eu veja Cheias por mim duma amorosa inveja. De Meandro e Caístro Cessarão as memórias;
Do Douro ao Ganges, e do Tejo ao Istro, As lusitanas glórias Levará o meu canto, Se o pátrio Ribeirão me inspira tanto;
Ouvi do grande Albano Que bem o nome soa: Ouvi, que se no exemplo não me engano, Alcino vos pregoa:
De vós, Herói distinto, As cores tiro, com que a Albano pinto A tarde já caía; E o sol mais temperado
Seu rosto dentro da água recolhia Quando num verde prado Salício se avistava Com Alcino, que acaso ali chegava.
Distante está do Tejo O sítio peregrino; E bem que a Alcino atrás do seu desejo Conduzira o destino
A ver da Corte o estado, Para o campo outra vez tinha voltado. Largas horas havia Que estavam praticando
Em Laura e Dinamene; na porfia, De conversa mudando, Salício assim se avança, E Alcino de escutá-lo se não cansa:
Conta-nos o que ouviste, o que notaste, Alcino meu, naquela grande Corte Para onde há tanto tempo te apartaste. Explica-nos, Pastor, o como a sorte
Assim se melhorou; que já se ausenta Do nosso campo a guerra, a fome, a morte. Deus sabe quanto susto esta tormenta Fez aqui entre nós, ao ver que vinha
O inimigo com mão dura e violenta. Esses campos dalém, dizem que tinha Destruído e arrasado; sem que nada Lhe contivesse fúria tão daninha.
Todos se foram pondo em retirada, Salvando cada qual por modo estranho, Aquele o fato seu, este a manada. Eu, que estava esperando mal tamanho,
Não quis daqui fugir, porque a pobreza Me não dá que perder, choça ou rebanho. Tu sabes que não sei o que é riqueza; Que passo aqui contente noite, e dia,
Zombando da ambição e da avareza. Nisto agora conheço a primazia Que levo aos meus Serranos: eles tremem; Eu faço do inimigo zombaria.
No mal comum, Salício, todos gemem, E se tu de fortuna hoje melhoras, Não escarneças tanto dos que temem. De melhor condição acaso foras,
Se o lobo matador aqui chegasse A tingir no teu sangue as mãos traidoras? Imaginas que só se contentasse Co’a pobreza do fato? Que somente
Os cabritos comesse, ou os roubasse? Desgraçado de ti, que és inocente! Foras tu por onde eu andei girando, Tu viras o que vai por essa gente.
Tu viras um filhinho soluçando Pelo Pai, que lhe morre; o outro viras Por falta de sustento andar chorando. Lá vão as sementeiras: que te admiras!
Tudo levou o fogo; o campo verde Foi posto do inimigo às cruéis iras. Que importa, que este mais devesas herde? Que aquele mais possua, se no estrago
Cada um à proporção seu tanto perde? Eu perco mais que todos, porque trago Apenas o meu fato a salvamento, Que a mudança me deu este bom pago.
Cuidei achar melhor acolhimento Nos Pastores da serra; andei errado Em deixar deste campo o doce assento. Depois passei-me à Corte, a ver o estado
Das cousas, como lá se governavam: Ah! Que de quanto vi, fiquei pasmado. Não te falo no tempo em que pastavam Teus gados sobre a serra; eu sei que tudo
Perdeste, como os mais que lá se achavam. Mas depois que passou teu gênio rudo A amparar-se da Corte, é que eu quisera Saber o que lucraste neste estudo.
Inda que outra ventagem não tivera, Muitas vezes feliz a minha dita Em ver o meu Albano conhecera. Quem é o teu Albano? Aonde habita?
Que gênio, condição, ou qualidade Tanto assim entre os nossos o acredita? Não sai Pastor daqui para a Cidade, Que em voltando de lá dele não conte
Cousas dignas de grande novidade. E crês tu que no vale, bosque, ou monte Vivirá tronco, ou penha, que algum dia As memórias de Albano não aponte?
Qual de nós escapara à morte fria? Quem tornara a ver mais sua devesa? Quem seu gado, ou currais inda acharia, Se este Pai dos Serranos com presteza
Não acudira a bem do nosso amparo, A vencer do inimigo a fortaleza? Corria ensanguentado o Tejo claro: Ia levando a espada cortadora
Tudo o que se encontrava sem reparo. Não houve noite, ou dia, instante, ou hora, Que algum grande sucesso se não visse, Ou no ferro, ou na chama abrasadora.
Miseráveis vaqueiros! Quem subisse Sobre aquela alta serra, ah! como creio, Que o coração em lágrimas partisse! Oh! como nada farta o sangue alheio
Àquele a quem conduz sua maldade, A que obre sem vergonha, honra, nem freio! Como se quebra a fé, ou lealdade Só pela vil cobiça! Da virtude
Não se faz caso já, nem da verdade. Bem que o teu pensamento nisso estude, Sempre verás, Alcino, como é certo Só vive co’a justiça um gênio rude.
Um coração lavado, um peito aberto Não sabe o que é traição; contente gira, Trazendo sempre o rosto descoberto. No cortesão somente anda a mentira
Fazendo o seu partido; envergonhada A honra se acobarda, e se retira. Já vejo que na frase disfarçada Caminhas a acusar, Salício amigo,
A tenção dessa gente tão danada; Dessa a quem dão amparo, dão abrigo Os altos Pirineus que em nosso dano Trouxe consigo o Ródano inimigo.
E não tenho razão para do engano Queixar-me, quando vejo, descarrega Sobre nós este golpe desumano? A razão com que falas, não a nega,
Salício meu, quem sabe da amizade Aonde chega o ponto, onde a lei chega. Quem aprovou jamais a falsidade Daquele, que fingindo alegre o rosto,
Descobre para o fim a crueldade! Mas eu ponho de parte este desgosto; E só quero louvar aquele braço, Que o nosso Portugal em paz tem posto.
Esse, que nos livrou deste fracasso Com sábia providência, e zelo pio, Que eu nunca de o cantar me satisfaço. Debaixo deste plátano sombrio
Seu nome entoarei por esta praia, Até onde se estende o largo rio. A minha tosca flauta aqui se ensaia Para com melhor som, melhor cadência,
A Títiro imitar junto da faia. Eu te sigo, Pastor; canta a excelência Do grande Albano teu; aqui sentado Inspira-me também essa influência.
O número amabeu é concertado; Quero-te acompanhar; vá de certame: Tu porás a sanfona, eu o cajado. Mas lá vem Melibeu; justo é que o chame,
Para louvado ser desta porfia; Ele do nosso canto faça exame. A tempo chego enfim, que não queria; Pois jamais foi meu gosto em arte ou prenda
Mostrar que entre vós outros mais sabia; Mas se não decidir esta contenda, Ao menos pronto estou para escutar-vos; Cantai, que tendes já quem vos atenda.
Não tenho medo algum de disputar-vos A palma entre vós outros; porque venho Da Corte, e trago um canto que ensinar-vos. Nele se conta o mal, a guerra, o empenho,
Que infestou toda a terra: o estilo é novo, Mui diverso do nosso, obra de engenho. Não o sabe cantar qualquer do povo; Algum somente cortesão polido
E que o canta por lá... Pois eu o aprovo. Não eu; que não me entendo co’ruído De vozes estrangeira; mas vá feito;
Sempre para escutar aplico o ouvido. Aqui nesta cortiça ao modo e jeito Do nosso campo eu a cortei: entanto Que eu digo o meu, tu, lê o teu conceito,
E acompanha, Salício, o novo canto. “Musas do monte Mênalo, que um dia Com suave harmonia Cantastes brando o peito
De Dafne, o Pastor claro; Melhorando o conceito, Fazei que o tempo avaro Só traga na memória
O nome soberano, A nunca vista glória Do meu sublime, do meu grande Albano. Do meu sublime, do meu grande Albano,
Vereis, se não me engano, Que este monte repete O esforço mais que humano; Aquele, que compete
Na pompa e na grandeza Ao tronco mais luzido, Que alenta a natureza, Que o Céu tem produzido,
Para ser nestes montes adorado. Para ser nestes montes adorado, Por ele é renovado Da selva dodonéia
O oráculo sagrado: De Nêmesis e Astréia, Com tanta segurança, Oh! como ele sustenta
A espada e a balança! Com providência atenta, Oh! como ampara ao bom, ao mau castiga! Oh! como ampara ao bom, ao mau castiga!
Por ele, é bem se diga, Que torna a idade d’ouro. A terra sem fadiga Produz o trigo louro;
Prodígio que invejava De Mântua o Pastor belo, Quando viu que brotava Com próvido desvelo
O mel dourado dos carvalhos duros. O mel dourado dos carvalhos duros, Os campos mal seguros, A nosso benefício,
Faz que brotem maduros Seus frutos já sem vício: Ele as fúrias quebranta Do bárbaro, que vinha
Com avareza tanta, Que já pisado tinha Quanto erguera a fadiga, e o trabalho. Quanto erguera afadiga, e o trabalho,
O abrigo, o agasalho, Tudo a nós restitui. A fecundar o orvalho Os campos continue;
Saia a cortar a terra O lavrador aflito, Que já fugiu a guerra; Já se não ouve o grito
Da miséria, da fome, da penúria. Da miséria, da fome, da penúria. Já se desterra a injúria. O ferro que aos arados
Servira, o troca a fúria Em dardos aguçados; Mas já com melhor sorte São da vida instrumentos,
Instrumentos da morte. Oh! que grandes portentos! Que arte feliz do nosso grande Albano! Que arte feliz do nosso grande Albano!
Armada em nosso dano A gente, que costuma Usar do torpe engano, Porque tudo consuma,
Entrava aferro e fogo Quanto banhara o Tejo; Mas desmaiando logo O malvado desejo,
Tudo foi confusão, tudo foi susto. Tudo foi confusão, tudo foi susto, Quando no assalto injusto Se viu pela campanha
O espírito robusto, Que lá da Pátria estranha Em nosso auxílio veio; E mais que a armada gente,
Vence o dano, e o receio O aviso providente Daquele Herói, que o Reino governava. Daquele Herói, que o Reino governava,
A nós se dispensava A direção, o acerto: A tudo consultava, Vendo crescer o aperto.
Não há fútil empenho A que não sirva a idéia, A que não sirva o engenho: O seu conselho enfreia
Do inimigo o furor, do ferro a ira. Do inimigo o furor, do ferro a ira. Por ele enfim respira Da Paz no doce laço
O Reino, que se vira No fúnebre ameaço: Ao som do bronze rudo Já foge o inimigo;
Tudo se aplaca, tudo Torna ao sossego antigo. Oh! doce Paz! Oh! Íris da tormenta! Oh! doce Paz...!”
Tem mão, Salício, atenta: Bem que se escute há uma hora, não me agrada Essa vossa cantiga, tão violenta. Alguém há de cuidar que é frase inchada
Daquela que lá se usa entre essa gente, Que julga que diz muito, e não diz nada. O nosso humilde gênio não consente Que outra poisa se diga mais que aquilo
Que só convém ao espírito inocente. A frase pastoril, o fraco estilo Da flauta e da sanfona, antes de tudo, Será digno que Albano chegue a ouvi-lo.
Se Alpino tem lá feito o seu estudo Nesses versos que traz, nós cá cantemos Ao nosso modo; inda que seja rudo. Vá feito, Melibeu; é bem pensemos
Em que não desmereça o nosso canto A pobre condição com que nascemos. Nada, Amigos, me pode agradar tanto Como os versos que trago de memória,
De que se faz na Corte um grande espanto. Deus sabe o que custou que eu toda a história Conservasse de por: outro não teve Dentro em tão poupo tempo tanta glória.
Laurênio, quantos dias não esteve A aprendê-los comigo! A bela Anarda, Que empenho por sabê-los me não deve! Pois olha tu, Alpino, se não tarda
De acordar-se a lembrança, eu te asseguro, Vejas pousa melhor, que um tronco guarda. Queres talvez mostrar-lhe aquele duro Salgueiro, onde outro dia descreveste
De Amarílis o nome, sempre puro? Não é este o meu verso, não é este. Pois é acaso a letra decantada Que fizeste ao teu bem, e ontem a leste?
Tampouco. É a de Angélica adorada, Aquela cantilena que começa “Onde te esconderás?...”
Não. É errada A vossa presunção: não se arremessa Tão longe da razão meu desatino, Que assunto tão diverso agora peça.
O verso, que mostrar-vos determino É um que, há poucos dias a esta parte, Cortou sobre um carvalho o velho Albino. Cheios d’engenho são, d’idéia e d’arte:
Inda bem se não sabe o seu assunto, Ou fala com Apolo, ou co’deus Marte. Pois anda, Melibeu; contigo junto Vou ver esse carvalho: anda, caminha,
Vamos, que já mais nada te pergunto. Quase que de seguir-vos eu não tinha: Pois cá no coração me está batendo Que a cantiga não é melhor que a minha.
“Pastores, os que andais lá sobre a serra, Apascentando as pobres ovelhinhas, A quem vem perseguindo a dura guerra, Desde a gente distante às mais vizinhas:
Se abrasa o fogo, se não guarda a terra Iguais vossas herdades, pomo as minhas, Comigo consolai o vosso pranto, Que eu perco mais que vós, ou perco tanto.
Eu também fui senhor de uma manada Que enchia estes currais: o pampo amigo Também me dava a fruta sazonada, As castanhas, a uva, a pêra, o figo;
Veio (quem crera tal!) com mão armada Sobre nós o faminto do inimigo; Tudo afogo levou; pôs tudo aferro; A mim me coube apenas um desterro.
Desde o Douro ao Mondego não havia Nem gado, nem curral que não gemesse. Tudo vinha arrasando a tirania Encoberta na forma de interesse.
Quem de tamanho mal escaparia, Se o grande Deus do Céu não protegesse A gente lusitana, a gente santa, Que para o seu brasão a cruz levanta!
Ele nos concedeu com mão piedosa Uma alta Divindade em nosso amparo, Que fez segura a sorte duvidosa E a todo o nosso dano pôs reparo.
Já fugiu a tormenta tenebrosa; Já resplendece o Céu sereno e claro; Feliz, ó Portugal, feliz mil vezes O destino dos povos portugueses!
Por esta Divindade entrou a cura Do contágio fatal, que o Reino via: A sua atividade é que segura Toda a conservação da Monarquia.
Assim como o Piloto em noite escura Vence com arte, e modo a névoa fria, Seguindo sempre o rumo, assim se assenta Que ele soube guiar-nos na tormenta.
Não sei como chamar-lhe deva agora; Sei que o Deus há de ser dos portugueses, A quem co’a machadinha cortadora Se hão de sacrificar as nossas reses.
Dia não haverá, instante, ou hora, Que seu nome não cantem nossos meses. Digam uns que é Apolo, outros que é Marte, No engenho, no valor, no esforço, e n’arte.
Quem faz fugir a gente castelhana, Quem à França também põe duro freio, Há de estender a terra lusitana Até chegar além do berço alheio.
O meu gado, se a idéia não me engana, Eu pertendo levá-lo sem receio Por campos nunca vistos, nem pisados, Que estão da verde relva carregados.
Plantarei novas vinhas onde tenha O grosso cabedal, que a Corte estima: Terei mil sementeiras, com que venha A ser maior que todos os do Lima.
Esta gralha, que canta, é que me empenha; Este sinal do Céu é que me anima: Tudo serve de agouro, porque em tudo Anda a minha razão fazendo estudo.
Eu vejo que por esta Divindade O mar se vê de frotas oprimido; Que, sem que do estrangeiro a droga agrade, Nos dá o Reino pão, dá o vestido:
Tudo fica entre nós, sem que a vaidade O tenha de outras gentes recebido. Já não vem a roubar-nos o pirata Que daqui nos levava o ouro, a prata.
Não só gira o comércio que a firmeza Dos Reinos assegura: premiado Se levanta com brio e fortaleza Do sono e da preguiça o vil Soldado.
Tudo já é valor, tudo é destreza No cobarde igualmente, e no esforçado. Oh! quanto pode a direção prudente! Um forte Rei faz forte a toda gente.
Por certo, Melibeu, não me atrevera A cantar junto a ti, se essa cantiga, Antes de ta escutar, ouvido houvera. Justo parece, Amigos, que se diga:
Não pode competir co’a flauta agreste Tudo o que desconhece a idade antiga. O canto é tão divino, tão celeste, Que eu nunca de escutá-lo me fartara.
Oh! que cousas tão belas que disseste! De Títiro a harmonia doce e rara Assim se imita bem, quando sentado Ao Deus, que vira em Roma, lá cantara.
Seja sempre do tempo venerado O tronco onde se imprime esta escritura Para guardar um verso tão sagrado. Sua rama se estende sempre pura,
Dando sombra ao cansado caminhante Que amparar-se solícito procura. Primeiro se há de ver o gado errante Pastar lá sobre o Céu; primeiro a terra
Será de mil estrelas abundante; Primeiro os cabritinhos pela serra Deixarão de saltar; entre os vaqueiros O lobo deixará de fazer guerra;
Os álamos ao rio sobranceiros Primeiro deixarão de estar bulindo Ao sussurro dos ventos lisonjeiros; Que eu deixe de estar sempre repetindo
Ao som da minha flauta o louvor santo, Que de ti, sacro tttronco, estou ouvindo. Eu sou também contente. Eu outro tanto.
Ao ver que a sombra escura Os montes já cobria, A sua choça cada qual procura: E cheia a fantasia
Do canto soberano, Todos cantando vão do grande Albano.
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