Onde, ó Nise divina, Onde te encontrarei, bela Pastora! O monte, o prado, o vale ando girando; Nise? Nise? Suspiro. A meus clamores
O eco apenas me responde. Tudo Informa, ó Nise, de que ausente vives; Que outro campo já pisas, Outras ovelhas, outro gado reges;
Que desprezas aquela choça amada, Junto à nossa ribeira fabricada. Ah! Se é certo que Nise Nestes campos faltou! Mas que duvido!
Sem cor a planta, a flor amortecida, O ar escuro, o sol sem luzimento, Este monte, este rio, aquele prado, Me diz que Nise (oh! Céus!) lhe tem faltado.
Nise? Nise? Meu bem? Ah! se inda aos longes Chega o clamor de meus suspiros, sabe Que vives na minha alma, Na minha alma que adora
Tão belo encanto, tão gentil Pastora. Vou pisando esta floresta, E os teus passos vou seguindo; Cego Amor vai conduzindo,
Como norte, a minha fé. Vejo a flor no campo alegre, Vejo a luz nos Céus tão bela; Nise, digo, é esta estrela;
Nise, digo, esta flor é. Mas ai! E que mal chego a conhecer-me No delírio que ocupa os meus sentidos! Como, ó Nise, imagino,
De meus olhos ausente, Que lembrada estarás da fé constante, Que um tempo me juraste; Naquele tempo, quando
Em tua companhia Toda a montanha, ó Nise, a cada instante, A cada hora enfim, cada momento, Me via (oh! doce estado!)
Já conduzindo o teu rebanho ao prado, Mais ditoso que todos os do campo, Quando o Sol mais ardia, As águas a beber da fonte fria;
Ou já sendo o calor do Sol mais brando, Ao curral, onde o tinha então cercado, Menos dos cães, do que de mim guardado! Quantos vezes (oh! Céus!) quantas
Digo ao vale, digo ao monte: Viste a Nise? Aquela fonte Testemunha pode ser. Mudo o vale, o monte mudo,
Tudo está suspenso; tudo Me parece que responde: Eu não vi Nise, o teu bem.
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