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1729–1789

CANTATA IV

Cláudio Manuel da Costa

Na sorte, Lise amada, Do misero Gigante, Que triste de meu fado se traslada O fúnebre semblante!

Ao ver a cópia do Ciclope infausto, Respiram de meu peito iguais ardores. Os zelosos furores Que dentro n’alma sinto,

Como em lâmina triste escrevo, e pinto. Zeloso ele, e eu zeloso, Ambos sentimos um igual extremo. Mais ai! fado aleivoso!

Que infeliz, inda mais que Polifemo, Me queixo. Ele a ocasiâo de seu ciúme Sufoca, estraga, desalenta, e mata; E eu de uma alma ingrata

Sinto o desprezo, e nâo extingo o lume, Pois sempre desprezado, Vivo aflito, infeliz, desesperado. Se em mim, pois, se em Polifemo

Influiu a mesma estrela, Aqui tens, ô Lise bela, Uma côpia de meu mal. Mas ai! Lise! Quanto sinto!

Bem que nesta copia o pinto, Nada iguala o original!

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CANTATA IV · Cláudio Manuel da Costa · Poetry Cove