Na sorte, Lise amada,
Do misero Gigante,
Que triste de meu fado se traslada
O fúnebre semblante!
Ao ver a cópia do Ciclope infausto,
Respiram de meu peito iguais ardores.
Os zelosos furores
Que dentro n’alma sinto,
Como em lâmina triste escrevo, e pinto.
Zeloso ele, e eu zeloso,
Ambos sentimos um igual extremo.
Mais ai! fado aleivoso!
Que infeliz, inda mais que Polifemo,
Me queixo. Ele a ocasiâo de seu ciúme
Sufoca, estraga, desalenta, e mata;
E eu de uma alma ingrata
Sinto o desprezo, e nâo extingo o lume,
Pois sempre desprezado,
Vivo aflito, infeliz, desesperado.
Se em mim, pois, se em Polifemo
Influiu a mesma estrela,
Aqui tens, ô Lise bela,
Uma côpia de meu mal.
Mas ai! Lise! Quanto sinto!
Bem que nesta copia o pinto,
Nada iguala o original!