Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos
À álgida agulha, agora, alva, a saraiva Caindo, análoga era... Um cão agora Punha a atra língua hidrófoba de fora Em contrações miológicas de raiva.
Mas, para além, entre oscilantes chamas, Acordavam os bairros da luxúria... As prostitutas, doentes de hematúria, Se extenuavam nas camas.
Uma, ignóbil, derreada de cansaço, Quase que escangalhada pelo vício, Cheirava com prazer no sacrifício A lepra má que lhe roía o braço!
E ensanguentava os dedos da mão nívea Com o sentimento gasto e a emoção pobre, Nessa alegria bárbara que cobre Os saracoteamentos da lascívia...
De certo, a perversão de que era presa O sensorium daquela prostituta Vinha da adaptação quase absoluta À ambiência microbiana da baixeza!
Entanto, virgem fostes, e, quando o éreis, Não tínheis ainda essa erupção cutânea, Nem tínheis, vítima última da insânia, Duas mamárias glândulas estéreis!
Ah! Certamente, não havia ainda Rompido, com violência, no horizonte, O sol malvado que secou a fonte De vossa castidade agora finda!
Talvez tivésseis fome, e as mãos, embalde, Estendestes ao mundo, até que, à-toa, Fostes vender a virginal coroa Ao primeiro bandido do arrabalde.
E estais velha! — De vós o mundo é farto, E hoje, que a sociedade vos enxota, Somente as negras da derrota Frequentam diariamente vosso quarto!
Prometem-vos (quem sabe?!) entre os ciprestes Longe da mancebia dos alcouces, Nas quietudes nirvânicas mais doces, O noivado que em vida não tivestes!
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