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1884–1914

VERSOS CARNAVALESCOS

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Digno, como um presidente — CLOWNESCO, tangendo guisos Abro a válvula dos risos Para alegrar esta gente.

Meu povo, não seja leso! Reparem Manoel Hipólito Das bricadeiras acólito E peru de roda obesa.

Vejam como ele está teso! O seu olho não balança. Mas o que nele a esperança Estrangula, e o põe de molho,

Não é, meus senhores, o olho É o promontório da pança. Boas-noites, seu Mesquita, Deixe de fazer esgares,

Olhe a seta dos olhares Daquela moça bonita! Para que se precipita?! Coma presuntos e engorde,

Mesquita, não durma, acorde, V. é lá criancinha? Agora uma perguntinha: Seu Mesquita, V. morde?

Que fenomenais arranjos, Que impulsos de bode esperto, Será aquele de certo Dr. Odilon dos Anjos?

Em matéria de marmanjos Ninguém o excede, em verdade. Possui tudo: — a exiguidade Dos seus bigodes de gato;

E aqui não há nenhum rato Que o vença em sagacidade. Olhe o Benjamim Fernandes, Sujeito de mãos gorduchas

Que é fabricante de buchas E tenta transpor os Andes. Usa umas pernas tão grandes, Que até me causam receio,

É forte no bamboleio, Tem pestanas de estopim, Toma figa, Benjamim, Vá de retro, bicho feio!

Possuo a harpa de David, E embora, senhores, peque Eu faço um salamaleque À elegância de Nini.

Ninguém me expulsa daqui, Não há ninguém que me expulse, Faltam-me as rimas em ulce, Que sorte aziaga e mesquinha,

Bravos de D. Donzinha E da elegância de Dulce! D. Áurea aceite deveras Meus parabéns, olhe, aceite,

Eu peço que não enjeite Estas palavras sinceras. Rasgue as máscaras austeras, Isto lhe não dá trabalho.

D. Nevinha Carvalho, Responda, não vá embora, Diga, por que é que a senhora Não faz versos para O Malho?

Vamos fazer da Folia Um alegórico mastro! É D. Eurídice Castro Quem no-lo fazer devia,

Mas fica para outro dia Esta exótica incumbência, A absurda resplandecência Do carnaval continue

Que o povo, quando se influi Não interrompe a alegria. Como um soberbo paxá Aqui termino. Aqui fico

(Entre parênteses) Chico Solon ou Chico de Sá. Como ele, talvez não há, Raspou noutro dia o andó.

Às vezes, resmunga só Premeditando atitudes De elegância, come grudes E escreve Dulce com O.

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