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1884–1914

VERSOS A UM COVEIRO

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Numerar sepulturas e carneiros, Reduzir carnes podres a algarismos, — Tal é, sem complicados silogismos, A aritmética hedionda dos coveiros!

Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros, Na progressão dos números inteiros A gênese de todos os abismos!

Oh! Pitágoras da última aritmética, Continua a contar na paz ascética Dos tábidos carneiros sepulcrais Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,

Porque, infinita como os próprios números, A tua conta não acaba mais!

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