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1884–1914

TEMPOS IDOS

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Não enterres, coveiro, o meu Passado, Tem pena dessas cinzas que ficaram; Eu vivo dessas crenças que passaram, E quero sempre tê-las ao meu lado!

Não, não quero o meu sonho sepultado No cemitério da Desilusão, Que não se enterra assim sem compaixão Os escombros benditos de um Passado!

Ai! não me arranques d’alma este conforto! — Quero abraçar o meu Passado morto, — Dizer adeus aos sonhos meus perdidos! Deixa ao menos que eu suba à Eternidade

Velado pelo círio da Saudade, Ao dobre funeral dos tempos idos!

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