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1884–1914

SONETO

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

O sonho, a crença e o amor, sendo a risonha Santíssima Trindade da Ventura, Pode ser venturosa a criatura Que não crê, que não ama e que não sonha?!

Pois a alma acostumada a ser tristonha Pode achar por acaso ou porventura Felicidade numa sepultura, Contentamento numa dor medonha?!

Há muito tempo, o sonho, do meu seio Partiu num célere arrebatamento De minha crença arrebentando a grade, Pois se eu não amo e se também não creio,

De onde me vem este contentamento, De onde me vem esta felicidade?!

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