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1884–1914

SONETO

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Gênio das trevas lúgubres, acolhe-me, Leva-me o esp’rito dessa luz que mata, E a alma me ofusca e o peito me maltrata, E o viver calmo e sossegado tolhe-me!

Leva-me, obumbra-me em teu seio, acolhe-me N’asa da Morte redentora, e à ingrata Luz deste mundo em breve me arrebata E num pallium de tênebras recolhe-me!

Aqui há muita luz e muita aurora, Há perfumes d’amor — venenos d’alma — E eu busco a plaga onde o repouso mora, E as trevas moram, e, onde d’água raso

O olhar não trago, nem me turba a calma A aurora deste amor que é o meu ocaso!

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SONETO · Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos · Poetry Cove