Senhora, eu trajo o luto do Passado,
Este luto sem fim que é o meu Calvário
E anseio e choro, delirante e vário,
Sonâmbulo da dor angustiado.
Quantas venturas que me acalentaram!
Meu peito, túm’lo do prazer finado,
Foi outrora do riso abençoado,
O berço onde as venturas se embalaram.
Mas não queiras saber nunca, risonha,
O mistério d’um peito que estertora
E o segredo d’um’alma que não sonha!
Não, não busques saber por que, Senhora,
É minha sina perenal, tristonha
— Cantar o Ocaso quando surge a Aurora.