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1884–1914

SONETO

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

No meu peito arde em chamas abrasada A pira da vingança reprimida, E em centelhas de raiva ensurdecida A vingança suprema e concentrada

E espuma e ruge a cólera entranhada, Como no mar a vaga embravecida Vai bater-se na rocha empedernida, Espumando e rugindo em marulhada

Mas se das minhas dores ao calvário, Eu subo na atitude dolorida De um Cristo a redimir um mundo vário, Em luta co’a natura sempiterna,

Já que do mundo não vinguei-me em vida, A morte me será vingança eterna.

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SONETO · Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos · Poetry Cove