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1884–1914

SONETO

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

O Templo da Descrença — ei-lo que avisto. A imensa Cruz da Dor lá está serena como um lírio! E vejo o pedestal que sustenta o Martírio; E vejo o pedestal que sustenta a Descrença!

— A colunata exul do Sonho Morto — o círio Da Quimera Falaz, o túmulo da Crença, Tudo! até o altar onde a Angústia vibra intensa Numa fúria assombral de feras em delírio!

Penetro louco enfim o abismo funerário, E a rasgar, a rasgar o lúrido sacrário, Em mim como no Templo a Angústia se condensa, E em mim como no Templo, urnas de Sonho; e, em bando,

Flores mortas da Aurora, e, eu sombrio chorando Ante a imagem fatal do Sepulcro da Crença!

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