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1884–1914

SAUDADE

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Hoje que a mágoa me apunhala o seio, E o coração me rasga atroz, imensa, Eu a bendigo da descrença em meio, Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noite quando em funda soledade Minh’alma se recolhe tristemente, P’ra iluminar-me a alma descontente, Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento, E à dor e ao sofrimento eterno afeito, Para dar vida à dor e ao sofrimento, Da saudade na campa enegrecida

Guardo a lembrança que me sangra o peito, Mas que no entanto me alimenta a vida.

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