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1884–1914

O COVEIRO

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Uma tarde de abril suave e pura Visitava eu somente ao derradeiro Lar; tinha ido ver a sepultura De um ente caro, amigo verdadeiro.

Lá encontrei um pálido coveiro Com a cabeça para o chão pendida; Eu senti a minh’alma entristecida E interroguei-o: “Eterno companheiro

Da morte, quem matou-te o coração?” Ele apontou para uma cruz no chão, Ali jazia o seu amor primeiro! Depois, tomando a enxada, gravemente,

Balbuciou, sorrindo tristemente: — “Ai! foi por isso que me fiz coveiro!”

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