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1884–1914

MÃOS

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Há mãos que fazem medo, Feias agregações pentagonais, Umas, em sangue, a delinquentes natos, Assinalados pelo mancinismo,

Pertencentes talvez... Outras, negras, a farpas de rochedo Completamente iguais... Mãos de linhas análogas a anfratos

Que a Natureza onicriadora fez Em contraposição e antagonismo Às da estrela, às da neve, às dos cristais. Mãos que adquiriram olhos, pituitárias

Olfativas, tentáculos sutis, E à noite, vão cheirar, quebrando portas, O azul gasofiláceo silencioso Dos tálamos cristãos.

Mãos adúlteras, mãos mais sanguinárias E estupradoras do que os bisturis Cortando a carne em flor das crianças mortas. Monstruosíssimas mãos,

Que apalpam e olham com lascívia e gozo A pureza dos corpos infantis.

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