Com a abundância, a fartura e a demasia
Das suas reais e egrégias graças, certo,
A vacuidade de qualquer deserto
Piedosissimamente ela encheria!
Tudo, quando procede da tristeza
E em abraços recíprocos se agrega,
Desde os olhos estéreis de uma cega,
Às mais negras criações da Natureza,
Tudo, unânime, ante ela, duma vez,
Diria, recobrando a luz perdida,
Como numa canção agradecida:
— “Bendita sejas tu, por toda a vida,
Misericordiosíssima Mercês!”