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1884–1914

IV

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Calou-se a voz. A noite era funesta. E os queixos, a exibir trismos danados, Eu puxava os cabelos desgrenhados Como o Rei Lear, no meio da floresta!

Maldizia, com apóstrofes veementes, No estentor de mil línguas insurretas, O convencionalismo das Pandetas E os textos maus dos códigos recentes!

Minha imaginação atormentada Paria absurdos... Como diabos juntos, Perseguiam-me os olhos dos defuntos Com a carne da esclerótica esverdeada.

Secara a clorofila das lavouras. Igual aos sustenidos de uma endecha, Vinha-me às cordas glóticas a queixa Das coletividades sofredoras.

O mundo resignava-se invertido Nas forças principais do seu trabalho... A gravidade era um princípio falho, A análise espectral tinha mentido!

O Estado, a Associação, os Municípios Eram mortos. De todo aquele mundo Restava um mecanismo moribundo E uma teleologia sem princípios.

Eu queria correr, ir para o inferno, Para que, da psique no oculto jogo, Morressem sufocadas pelo fogo Todas as impressões do mundo externo!

Mas a Terra negava-me o equilíbrio... Na Natureza, uma mulher de luto Cantava, espiando as árvores sem fruto, A canção prostituta do ludíbrio!

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