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1884–1914

III

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Podre meu Pai! A Morte o olhar lhe vidra. Em seus lábios que os meus lábios osculam Microrganismos fúnebres pululam Numa fermentação gorda de cidra.

Duras leis as que os homens e a hórrida hidra A uma só lei biológica vinculam, E a marcha das moléculas regulam, Com a invariabilidade da clepsidra!

Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos Roída toda de bichos, como os queijos Sobre a mesa de orgíacos festins!... Amo meu Pai na atômica desordem

Entre as bocas necrófagas que o mordem E a terra infecta que lhe cobre os rins!

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III · Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos · Poetry Cove