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1884–1914

III

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

De novo, a Aurora, entre esplendores, há-de Alva, se erguer, como tombou outrora, E como a Aurora — o Sol — hóstia da Aurora, Abençoada pela Eternidade!

E ei-lo de novo, ontem moribundo, Hoje de novo, curvo ao seu destino, Fantástico, ciclópico, assassino Ébrio de fogo, dominando o mundo!

Mas de que serve o Sol, se, triste, em cada Raio que tomba no marmel da terra, Mais em meu peito uma ilusão se enterra, Mais em minh’alma um desespero brada?!

De que serve, se, à luz áurea que dele Emana e estua e se refrange e ferve, A Mágoa ferve e estua, de que serve Se é desespero e maldição todo ele?!

Pois, de que serve, se, aclarando os cerros E engalanando os arvoredos gaios, A alma se abate, como se esses raios N’alma caindo, se tornassem ferros?!

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III · Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos · Poetry Cove