Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos
Minha angústia feroz não tinha nome. Ali, na urbe natal do Desconsolo, Eu tinha de comer o último bolo Que Deus fazia para a minha fome!
Convulso, o vento entoava um pseudosalmo, Contrastando, entretanto, com o ar convulso A noite funcionava como um pulso Fisiologicamente muito calmo.
Caíam sobre os meus centros nervosos, Como os pingos ardentes de cem velas, O uivo desenganado das cadelas E o gemido dos homens bexigosos.
Pensava! E em que eu pensava, não perguntes! Mas, em cima de um túmulo, um cachorro Pedia para mim água e socorro À comiseração dos transeuntes!
Bruto, de errante rio, alto e hórrido, o urro Reboava. Além jazia os pés da serra, Criando as superstições de minha terra, A queixada específica de um burro!
Gordo adubo de agreste urtiga brava, Benigna água, magnânima e magnífica, Em cuja álgida unção, branda e beatífica, A Paraíba indígena se lava!
A manga, a ameixa, a amêndoa, a abóbora, o álamo E a câmara odorífera dos sumos Absorvem diariamente o ubérrimo húmus Que Deus espalha à beira do seu tálamo!
Nos de teu curso desobstruídos trilhos, Apenas eu compreendo, em quaisquer horas, O hidrogênio e o oxigênio que tu choras Pelo falecimento dos teus filhos!
Ah! Somente eu compreendo, satisfeito, A incógnita psique das massas mortas Que dormem, como as ervas, sobre as hortas, Na esteira igualitária do teu leito!
O vento continuava sem cansaço E enchia com a fluidez do eólico hissope Em seu fantasmagórico galope A abundância geométrica do espaço.
Meu ser estacionava, olhando os campos Circunjacentes. No Alto, os astros miúdos Reduziam os Céus sérios e rudos A uma epiderme cheia de sarampos!
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