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1884–1914

II

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Agora dorme o astro de sangue e de ouro Como um sultão cansado! As nuvens, como Odaliscas, da Noute ao negro assomo, Beijam-lhe o corpo ensaguentado d’ouro.

Legiões de névoas mortas e finadas Como fragmentações d’ouro e basalto Lembram guirlandas pompeando no Alto, Eterizadas, volatilizadas.

E a Noute emerge, santa e vitoriosa Dentre um velarium de veludos. Atros, Descem os nimbos... No ar há malabatros Turiferando a negridão tediosa.

Além, dourando as névoas dos espaços, Na majestade dum condor bendito, Subindo à majestade do Infinito, A Via-Láctea vai abrindo os braços!

Áureas estrelas, alvas, luminosas, Trazem no peito o branco das manhãs E dormem brancas como leviatãs Sobre o oceano astral das nebulosas.

Eu amo a noute que este Sol arranca! Namoro estrelas... Sírius me deslumbra, Vésper me encanta, e eu beijo na penumbra A imagem lirial da Noute Branca.

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