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1884–1914

I

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Sol alto. A terra escalda: é um forno. A flama oriunda Da solar refração bate no mundo, acende O pó, aclara o mar e por tudo se estende E arde em tudo, mordendo a atra terra infecunda.

E o Velho veio para o labor cotidiano, Triste, do alegre Sol ao grande globo quente E pôs-se para aí, desoladoramente A revolver da terra o atro e infecundo arcano.

Por seis horas seu braço, empenhado na luta, Fez reboar pelo solo, alta e descompassada A dura vibração incômoda da enxada, Rasgando do agro solo a superfície bruta.

Mas o braço cansou! Trabalhou... e o trabalho — Do Eterno Bem motor principal e alavanca — Arrancara-lhe a Crença assim como se arranca De um ninho a seda branca e de uma árvore o galho!

Sangrou-lhe o coração a saudade da Aurora! — O Hércules que ele fora! O fraco que ele hoje era! E surpreendido viu que um abismo se erguera Entre o fraco que era hoje, e entre o Hércules de outrora!

Pois havia de, assim, nesta maldita senda De sofrimento ignaro em sofrimento ignaro Ir caminhando até tombar sem um amparo No tremendo marnel da Desgraça tremenda?!

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