Frio e sagrado coração de lua,
Teu coração rolou da luz serena!
E eu tinha ido ver a aurora tua
Nos raios d’ouro da celeste arena...
E vi-te triste, desvalida e nua!
E o olhar perdi, ansiando a luz amena
No silêncio noctívago da rua...
— Sonâmbulo glacial de estranha pena!
Estavas fria! A neve que a alma corta
Não gele talvez mais, nem mais alquebre
Um coração como a alma que está morta...
E estavas morta, eu vi, eu que te almejo,
— Sombra de gelo que me apaga a febre,
— Lua que esfria o sol do meu desejo!