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1884–1914

CORAÇÃO FRIO

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Frio e sagrado coração de lua, Teu coração rolou da luz serena! E eu tinha ido ver a aurora tua Nos raios d’ouro da celeste arena...

E vi-te triste, desvalida e nua! E o olhar perdi, ansiando a luz amena No silêncio noctívago da rua... — Sonâmbulo glacial de estranha pena!

Estavas fria! A neve que a alma corta Não gele talvez mais, nem mais alquebre Um coração como a alma que está morta... E estavas morta, eu vi, eu que te almejo,

— Sombra de gelo que me apaga a febre, — Lua que esfria o sol do meu desejo!

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