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1884–1914

CANTO DA AGONIA

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Agonia de amar, agonia bendita! — Misto de infinda mágoa e de crença infinita. Nos desertos da Vida uma estrela fulgura E o Viajeiro do Amor, vendo-a, triste, murmura:

— “Que eu nunca chore assim! Que eu nunca chore como Chorei, ontem, a sós, num voluptuoso assomo, Numa prece de amor, numa delícia infinda, Delícia que ainda gozo, oração, prece que ainda

Entre saudades rezo, e entre sorrisos e entre Mágoas soluço, até que esta dor se concentre! No âmago de meu peito e de minha saudade, Amor, escuridão e eterna claridade...

— Calor que hoje me alenta e há de matar-me em breve, Frio que me assassina, amor e frio, neve, Neve que me embala como um berço divino, Neve de minha dor, neve de meu destino!

E eu aqui a chorar nesta noute tão fria! Agonia, agonia, agonia, agonia!” — Diz, e morre-lhe a voz, e cansado e morrendo O Viajeiro vai, e vê a luz e vendo

Uma sombra que passa, uma nuvem que corre, Caminha e vai, e, louco, abraça a sombra e... morre! E a alma se lhe dilui na amplidão infinita... Agonia de amor, agonia bendita!

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