Climéria é todo o sonho da arte helena
Esculpido nos mármores de Paros,
Raios de sol num cálix de açucena
São-lhe no rosto os grandes olhos claros!
“Está naquela idade duvidosa”
Que um poeta em versos rútilos descreve:
— Menina e moça! Entrefechada rosa!
Entreaberto botão de flor de neve!
Recende-lhe a palavra sobremodo
A um perfume de sândalo e bonina!
E a impecabilidade do seu todo
Pede uma estátua criselefantina!
Quando ela surge, e em torno os olhos vaga,
Turba as estrelas no alto espaço infindo:
— Também o sol com o olhar lúcido apaga
Todos os astros quando vem surgindo!