Esta deusa infantil que hoje vos mostro,
Ajoelhado, com a citara em sossego,
Lembra um miniaturesco ídolo grego
Diante do qual, como um pagão, me prostro.
Nítidas, do céu côncavo e alto, jorrem
Numa caudalosíssima fluência
Sobre sua arcangélica inocência
As línguas de oiro que no espaço correm.
A Humanidade, estúpida, de rastros
Contemple-a... Toda a Flora se desfolhe
Vendo-a, e do Alto, com raiva ofídica, a olhe
O ígneo exército etéreo e áureo dos astros.