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1884–1914

ARA MALDITA

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Como um’ave, cindindo os céus risonhos, Meiga, tu vinhas a cindir os ares, E, qual hóstia caindo dos altares, Foste caindo n’ara dos meus sonhos.

E eu vi os seios teus virem inconhos, — Esses teus seios que os cerúleos lares Branquejaram de eternos nenufares, Para nunca tocarem negros sonhos!

Caíste enfim no meu sacrário ardente, Quiseste-me beijar a ara do peito, E eu quis beijar-te o lábio redolente. E beijei-te, mas eis que neste enleio,

Tocando n’ara negra o níveo seio, Caíste morta ao celestial preceito.

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